UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO (M. BARROS)

AS COISAS QUE NAO EXISTEM SAO MAIS BONITAS

(FELISDÔNIO)
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domingo, 5 de outubro de 2008

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar nao funciona
para cor, mas para som.
Então, se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia, que é voz de poetas, que é a voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar o delírio.

(manoel de barros)